domingo, 22 de julho de 2007

Diante de uma crise que paralisa aeroportos e dificulta a viagem de brasileiros e depois dos piores acidentes da história da aviação no país, o governo parece continuar omisso. Mesmo que os acidentes sejam fatalidades e que a crise não seja a culpada direta, não se pode negar que as ações do governo ou a falta delas geram insegurança e desconfiança. Abaixo, frases de integrantes do governo diante da crise.

"É preciso fé e um pouco de reza".
Waldir Pires - ministro da Defesa

"Relaxa e goza, porque você esquece todos os transtornos depois".
Marta Suplicy - ministra do Turismo 

"Não há caos aéreo. Há um aumento do fluxo de tráfego. É a prosperidade do país. Mais gente viajando, mais aviões".
Guido Mantega - ministro da Fazenda

"Se a gente não pode, a gente deixa como está para ver como fica".
Luis Inácio Lula da Silva - Presidente da República

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Laboratório da Paz

O Brasil vive um período de discussões no âmbito criminal. E não é por menos. Uma das maiores ondas de violência da história do país se descortina em frente das autoridades, das elites e da população, em geral.

A violência das grandes cidades não é novidade para ninguém. Há muito tempo, a população brasileira vive atrás das grades de suas próprias casas. Há muito tempo os seqüestros assustam. Há muito tempo os assaltos e os assassinatos são notícias nos principais jornais do país.

No entanto, a ação de grupos criminosos armados e organizados têm surpreendido as autoridades e deixado a população das duas maiores cidades brasileiras assustada.  Recentemente, o caso da morte brutal do menino João Hélio arrastado por um carro após um assalto no Rio causou comoção nacional e reacendeu a discussão sobre maioridade penal e reforma nas leis de execução penal.

Família sofre no enterro do menino João Hélio

Não há dúvidas de que um jovem de 14 ou 16 anos já sabe o que faz e não pode ser considerado uma simples criança inocente, no entanto, seria a diminuição da maioridade penal a solução salvadora dos problemas de violência urbana no Brasil?

Não se espera com este texto provar que a maioridade penal não deva ser diminuída, ao contrário, cada cidadão deve ser responsabilizado por seus atos, tenha 14, 16 ou 18 anos.

No entanto, é importante ressaltar que só a diminuição da maioridade penal não será capaz de resolver os problemas. Ao longo de sua história, o Brasil formou uma sociedade desigual e excludente. A presença do Estado nas áreas mais pobres do país não é sentida por aqueles que deveriam sentir-se plenos cidadãos porque o são no momento em que lhe são cobrados os impostos. Quando se fala de regiões mais pobres deve-se entender que refere-se principalmente às favelas e bairros periféricos das grandes e médias cidades.

Enquanto o país tratar essas pessoas como cidadãos de segunda haverá espaço para que o crime organizado aliste mais soldados para seu exército. Enquanto a população brasileira conviver com uma educação ineficiente e incapaz de oferecer perspectiva de vida melhor aos jovens, haverá crianças e adolescentes que sentirão que a única solução para seus problemas está no crime. Afinal, poucos são punidos e obtém com o crime o que necessitam.

Um grande exemplo de inclusão social é a cidade colombiana de Medellín. Nos anos 90 era considerada a cidade mais violenta do mundo. E, realmente, era. A presença de narcotraficantes nos morros da cidade elevava a morte de jovens a um nível insuportável. O Estado colombiano parecia distante de uma população jogada a própria sorte. O cartel era a lei e o único poder organizado na cidade. Foi quando surgiu a expressão: “Se Medellín é a capital da violência, podemos transformá-la também em laboratório da paz”. Várias medidas foram tomadas para que a sonhada paz se tornasse real, entre elas a de transformar as praças da cidade em centros de cultura. Esculturas de seu mais importante filho, Botero, foram espalhadas por Medellín. Além disso, o governo municipal tentou se aproximar da população. Um sofisticado sistema de teleféricos, chamado de Metrocable, foi construído, mas não com o propósito turístico, e sim de agilizar o transporte da população dos morros para os bairros da cidade. A polícia ocupou permanentemente os morros. A cidade deu perspectivas a sua juventude. A presença policial e a imagem do Estado  inibiu a presença de traficantes. Não foi fácil, houve resistência, mas a população participou quando percebeu o que o Estado estava fazendo por ela. Hoje, os índices de criminalidade em Medellín são menores do que em muitas cidades brasileiras.

Sistema de Teleféricos coletivos em Medellin, Colômbia

Que lições o Brasil pode tirar da experiência colombiana? O país precisa antes de tudo se mostrar presente à população e inibir o crime, sendo mais organizado do que ele. Precisa melhorar sua educação. Precisa investir na criação de empregos. Precisa treinar melhor as forças policiais. E precisa, sim, melhorar suas leis e o cumprimento delas.

Pode o Brasil também ser um "laboratório da paz"? Enquanto os parlamentares continuarem a discutir o aumento de seus próprios salários e não cumprirem sequer um quorum semanal, o brasileiro se sentirá abandonado. É necessária uma mudança nos investimentos e no modo como o governo vê a população. No Brasil, parece que se vive no período feudal, no qual a população servia ao seu senhor. Na sociedade brasileira, os governantes do Estado precisam entender que são servidores e não senhores. Da mesma forma, a população precisa se transformar em inspetor e deixar de ser apenas espectador. O fim da violência está ligado a presença do Estado. Os políticos logo deixarão de discutir o assunto pois voltarão aos seus condomínios fechados, carros blindados e seguranças particulares. A população é que não pode permitir que o assunto caia no esquecimento. 


sexta-feira, 6 de abril de 2007

Páscoa - A passagem

Desde o surgimento no antigo Egito, passando pela instituição do
cristianismo até as épocas do consumismo, a Páscoa representa e fé
de várias religiões e a comemoração do comércio

Subiam aos céus os lamentos do povo judeu, então escravos de Faraó, governador do Egito.  Ouvindo tais súplicas, Deus falou com Moisés em um ‘arbusto ardente’ e o incumbiu de libertar o povo e levar-lhe à terra prometida.

Ao falar com Faraó, Moisés não foi atendido nas exigências que fez pela partida de seu povo, obrigando o Grande Deus Hebreu a enviar dez pragas sobre a terra do Egito. Embora duras, nenhuma delas foi capaz de fazer com que Faraó mudasse de idéia, até que seus primogênitos foram feridos.

Os judeus deveriam oferecer a seu Deus um cordeiro, passar seu sangue nas batentes de suas portas para que quando o ‘anjo da morte’ viesse a matar todos os primogênitos do Egito, ‘passasse por sobre’ (Pessach) suas casas.

É desta forma que o livro bíblico do Êxodo descreve a primeira Páscoa, chamada pelos judeus de Pessach ou o dia em que o anjo passou por sobre suas casas e não matou seus primogênitos, enquanto não poupava os egípcios.

De acordo com Bruna Dália, especialista em cultura judaica, ainda hoje a festa mantém suas tradições seculares. A abundância evidenciada nos seus jantares nos quais é servido um banquete, composto por bolinhos de peixe, caldo de frango, frango assado, batatas coradas, verduras, frutas e bolo, difere a festa hoje daquela comemorada naqueles tempos em que havia grande escassez em sua viagem pelo deserto.  É quando comemoram a sua liberdade e o seu nascimento como nação. Várias regras são utilizadas durantes os oito dias da festa, desde a divisão de seu banquete com os pobres até a leitura de uma oração de Páscoa (o Hagadah) antes de comer.

Como se pode ler nos Evangelhos bíblicos do Novo Testamento, foi numa das comemorações de Páscoa que um certo Jesus Cristo jantou com seus discípulos, sendo preso e crucificado logo depois. Seus seguidores o viam como o Salvador prometido que livraria a Judéia do jugo romano. De acordo com os cristãos, ele ressuscitou no terceiro dia. Nasciam, então, os alicerces da Páscoa cristã, que assim como a Pessach, representa a passagem, no entanto a passagem de Cristo da morte para a vida.

É uma época em que muitas pessoas refletem sobre seu próprio comportamento e buscam a mudança. Lembram do que deixaram esquecido por todo o ano.

O comércio comemora recordes de vendas a cada ano. Todos os anos, as vendas de chocolates crescem numa média de  3% em relação à Páscoa anterior, segundo A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).

Parece que todos precisam se satisfazer com a compra de ovos de Páscoa. Os ovos representando o nascimento, entregues por um coelho que representa a fecundidade. E o chocolate? Talvez o chocolate seja a mais clara evidência do consumismo pascal.   

Escrito em 2004 para um trabalho da faculdade

domingo, 1 de abril de 2007

Mistão Tricolor derruba Versão no Morumbi

 
São Paulo 3 X 1 Palmeiras
Em jogo equilibrado, São Paulo leva a melhor e
tira Palmeiras da zona de classificação do Paulistão
 
 
O clássico apresentava um Palmeiras em ascenção e disposto a garantir vantagem sobre os concorrentes para se classificar à próxima fase do Campeonato Paulista 2007 e um São Paulo preocupado com o jogo contra o Necaxa, válido pela 4ª rodada da primeria fase da Libertadores.
 
O jogo começou num ritmo acelerado. Logo aos 5 minutos do 1º tempo, o São Paulo abriu o placar, após a bola tocar na zaga palmeirense e sobrar para Borges, que, livre, tocou na saída de Diego Cavalieri.
 
O São Paulo passou a dominar o jogo e assustar a torcida palmeirense, o que acordou a equipe alvi-verde que tentou equilibrar o jogo a partir dos 20 minutos. Aos 29, depois de um belo lançamento de Valdivia, Breno foi derrubado na área. Penâlti para o Palmeiras. Edmundo cobrou sem chances para Rogério Ceni e empatou o jogo. Edmundo também chegou ao 11º gol no Paulistão.
 
Com medo de uma virada, o São Paulo passou a tocar a bola, embora esbarrace sempre na defesa palmeirense. Até que após uma cobrança de escanteio, Alex Silva foi derrubado na área. Penâlti para o tricolor. Rogério Ceni cobrou e marcou. Foi o 6º gol de Rogério Ceni contra a equipe do Palestra Itália, que se tornou a maior vítima do goleiro são-paulino.
 
O segundo tempo começou corrido, mas sem grandes oportunidades para nenhuma das duas equipes. O jogo manteve-se equilibrado. Aos 22 minutos a zaga são-paulina roubou a bola e lançou para Richalyson que foi até a entrada da área palmeirense e chutou no ângulo para selar a vitória tricolor.
 
Com o resultado, o São Paulo garantiu matematicamente sua classificação com 40 pontos. Graças as vitórias de Bragantino e São Caetano, o Palmeiras ficou fora do grupo de 4 equipes que estariam classificadas caso a primeira fase do Paulista terminasse hoje.
 
No Morumbi, manteve-se o tabu. Há dez anos, o São Paulo não perde para o Palmeiras em partidas válidas pelo Campeonato Paulista.

CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA


Não há qualquer dúvida de que a Amazônia brasileira está agonizando!

O governo é omisso e permite que a região seja alvo de madeireiras mal intencionadas, rota do tráfico internacional de drogas e ponto central do tráfico de espécies animais e vegetais.

Se algo não for feito em regime de urgência, que país deixaremos para nossos filhos?

Talvez, o futuro nos deixe no lugar de um imenso tapete verde e de uma reserva mundial de biodiversidade, um imenso deserto. É isso o que queremos? É isso que pretendemos deixar para as futuras gerações?

Não vou me extender neste tema pois deixarei transcrito abaixo o Manifesto de artistas brasileiros contra a devastação de nosso patrimônio. Você pode fazer algo com uma simples assinatura. Assine o manifesto!

CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA

Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.

Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.

Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.

Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.

Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:

"A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais"

Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!

É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história.

SOMOS UM POVO DA FLORESTA!

Visite o site e assine: http://www.amazoniaparasempre.com.br/
Faça parte da Comunidade no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=27073911


sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Eleições 2006 - 2º turno

Os debates entre os candidatos a presidência da república, Lula e Alckmin, tem sido marcados por uma constante. Enquanto Alckmin tenta trazer a tona o conceito ético que se perdeu na sociedade brasileira, Lula tem como trunfo aparentes conquistas sociais e a ironia é sua grande arma.

Lula se alicerça na redução da pobreza e na apresentação de números irreais. Houve queda de 19% na pobreza no país de acordo com o presidente. Esse número se deve ao bolsa-família. No entanto, é irreal imaginar o bolsa-família como um eficiente redutor de pobreza. Na realidade, os programas sociais do governo não trabalham pela auto-suficiência dos beneficiados, mas mantém a dependência aos programas sociais. Se  a fonte de dinheiro acabar, as pessoas voltarão ao mesmo estado em que se encontravam antes. É preciso dar o peixe ao mesmo tempo em que se ensina a pescar.

No debate do SBT, Lula usou como arma a comparação da taxa selic. Disse que a taxa hoje estava em 6,5%. Embora devesse entender claramente essa taxa apresentada na TV a todo momento, o presidente mostrou que não sabe os números da economia, pois a taxa é de 13,5%.

Ironicamente, o presidente sorri diante das perguntas e faz piadas a respeito de qualquer assunto. Foge das perguntas que o levariam a prestar contas ao povo a respeito das frequentes denúncias de corrupção de seu governo. Insiste que nada via e nada sabia e usa o elevado número de denúncias como trunfo de campanha, dizendo que as denúncias surgiram porque seu governo investiga. Vale lembrar que isso não é verdade, o mensalão chegou ao conhecimento público graças a Roberto Jefferson, que contou os segredos do Planalto.

Alckmin errou ao centralizar sua campanha em críticas ao governo Lula. Era necessário reconhecer o que foi bom, falar sobre o que faltou e apontar soluções para melhorar os programas existentes e implementar outros necessários ao desenvolvimento nacional. Não houve uma clara apresentação de propostas, além de que o uso de termos técnicos também afastou o candidato do PSDB do público brasileiro.

Foi uma campanha fria com alguns picos. O marketing de Lula acertou ao usar a privatização. A campanha de Alckmin foi fraca, não apresentou qualquer fato novo, mas insistiu na corrupção que o povo conhece, mas não tem grande impacto sobre o eleitorado que se identifica com Lula e o vê como um do povo no poder.

O imediatismo dos programas de Lula lhe renderam sucesso na campanha. A pergunta é: até quando essas soluções imediatas e provisórias surtirão efeito? Não se pensou no longo prazo durante esse governo. Esperamos que nos próximos quatro anos, os programas de governo visem mais a preparação para o futuro do que o simples imediatismo provisório. Caso contrário, correremos o risco de nos tornar uma nova Argentina, populista e quebrada.

Emana do Povo




Como se não bastassem as diversas denúncias de corrupção comuns nos quatro anos em que o PT governa o país, a poucos dias das eleições de 2006, aparecem novas provas do envolvimento do partido, que deveria ser dos trabalhadores, em esquemas ilícitos.

Depois de ver seus principais assessores na presidência caírem após denúncias, o “blindado” presidente da república, parece preocupado que desta vez seja manchado. É interessante como ele desaparece nesses momentos e se esconde por trás de seus aliados, que vão deixando o governo, um de cada vez. Quando a poeira abaixa, ele volta com a pose de quem exige investigações.

Os partidos da oposição esperam que essas denúncias derrubem a porcentagem de votos em Lula. No entanto, a últimas pesquisas apontam que o presidente ainda será eleito em primeiro turno. A dúvida é se já houve tempo para que reflexos dos últimos acontecimentos fossem percebidos nas pesquisas. Se sim, Lula continua blindado contra acusações, mesmo que muitos em seu partido e em seu governo estejam envolvidos. Se não, poderemos caminhar a um segundo turno ou a uma virada histórica de seus adversários.

A verdade é que por denúncias muito menores em nossos vizinhos sul-americanos, foram verificadas mobilização nacional e queda de governos. No Brasil, a população continua omissa, como o é desde o episódia da Independência. A evocação de que “um povo heróico*” com “o brado retumbante*”  tenha conquistado a liberdade não é real. A independência brasileira não passou de um acordo familiar que os reis portugueses firmaram para deixar seu filho no poder. Além disso, exigiu-se que o Brasil fizesse sua primeira dívida externa para que a independência fosse reconhecida. Em outras palavras, a independência do Brasil foi comprada. Não houve revolução ou luta popular e, com D Pedro I, os portugueses continuaram a governar o país.

Este não é o único exemplo. A história brasileira está repleta de omissões. A proclamação da república foi uma vitória das elites interessadas em governar. Não foi uma vitória do povo. A luta contra a ditadura militar foi a grande guerra travada pelos brasileiros, mas a maior parte da população se omitiu e aceitou viver numa sociedade oprimida. O impeachment do então presidente Fernando Collor veio após os caras pintadas saírem as ruas e exigirem a queda do governo. Os caras pintadas eram estudantes que, em muitos casos, apenas iam na onda de outros. E o brasieliro comum, que não tinha condições de frequentar a faculdade, continuou escondido em sua zona de conforto.

O país vai continuar a permitir que a omissão supere os desejos de mudanças? Quando Lula foi eleito seu slogan, repetido com ostentação, era: ”A esperança venceu o medo”. Hoje, depois de governar, o PT deixou uma apatia política aparente em todo o país. O povo não acredita mais em mudanças e, por isso, alguns dizem que o melhor é deixar tudo como está, nada vai mudar mesmo. Outros vêem na anulação de seu voto uma forma de externar sua indignação e protestar. No entanto, tudo isso representa mais um exemplo histórico de omissão. Para mudar, é necessário acreditar, votar e valorizar a democracia. Depois das eleições, é preciso cobrar pelas promessas feitas e exigir que elas sejam cumpridas. Se não houver satisfação popular, deve-se ir às ruas, imitar os argentinos e os equatorianos, com panelaços, caras pintadas e exigências claras.

A Constituição Federal diz que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos...**” Tudo o que acontece no governo emana do povo. A falta de reivindicações e exigências representa participação em tudo o que tem acontecimento. A população, simplesmente, aceita os altos impostos, as constantes denúncias de corrupção, a falta de investimentos sociais, entre outros problemas. Acostuma-se a eles e não tem a menor perspectiva de um futuro melhor.
Este é o momento de transformar o país do futuro no país do presente. 

É o momento do brasileiro finalmente soar o seu “brado retumbante” e tornar-se o “povo heróico” cantado no Hino Nacional.

*Hino Nacional Brasileiro
**Constituição Federal – Artigo 1º, Parágrafo único.